Aos 12 uma tremenda louca por Legião Urbana, foi com essa idade que as letras de Renato Russo começaram a fazer sentido, até então era uma banda que os mais velhos gostavam.Pais e Filhos tinham cada vez mais sentido na minha vida, as brigas em casa eram constantes, minha mãe queria me educar para ser uma exemplar dona de casa, e lá no fundo isso me incomodava, não queria aprender a lavar, passar ou esfregar, queria ler, ver o mundo, com 12 anos era bem madura.
Embora não soubesse que a criação para ser dona de casa tinha começado, eu já não a aceitava e vivi em confronto direto com minha mãe que abandonou estudo e trabalho para se casar.
O tempo na escola era gasto de forma sabia, mesmo não sendo uma “gênia”, eu conseguia escutar a matéria, grava e depois tirar notas aceitáveis, nada de excepcional, mas nada que desabonasse minha inteligência.
Foi ai que a minha fome de leitura aumentou muito, o bibliotecário achava lindo todas as semanas a gordinha lá na biblioteca atrás de um livro, meio que escondida dos amigos pra não “queimar o filme” eu não poderia tirar notas muito altas e nem ser CDF para ser aceita pelo grupo mesmo sendo gorda.
E o Senhor de cabelos grisalhos, cumpridos, olhar meio e um enorme bigode (parecia o papai Noel magro..heheheh) me apresentou algo que fugia a todos os livros da serie vaga-lume que eu já havia devorado. Era Agatha Christie acreditem se quiser, com 12 anos eu devorei um livro de 400 páginas de um autor estrangeiro e que era regado a assassinatos e relacionamentos amorosos... Quando entreguei o livro me senti a mulher mais realizada do mundo, pois havia adorado o livro e sabia que ali eu tinha ganho uma “graduação” interna algo que me deu a certeza, com essa idade, de que Amélia eu não seria, para desespero de todos que me cercavam e que achavam que eu seria a garotinha de rosa que casaria e teria filhos.
E segurem os proximos capítulos...